POLÍTICAS PERMANENTES DE MODERNIZAÇÃO DO CRÉDITO IMOBILIÁRIO

12 de dezembro de 2019 • Sucessão da Abecip

 

O propósito de preservar as políticas de longo prazo do crédito imobiliário marcou o término do mandato de Gilberto Duarte de Abreu Filho (2015/2019) e o início do comando de Cristiane Magalhães Teixeira Portella (2019/2021) à frente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). “O objetivo é persistir no trabalho de modernização do crédito imobiliário no País”, afirmou Cristiane à ABECIP – REVISTA DO SFI. Olhando para os quatro anos em que dirigiu a associação, Gilberto enfatizou: “O ciclo de crescimento do financiamento imobiliário está apenas começando e as iniciativas da entidade nos últimos anos criaram um alicerce para o desenvolvimento sustentável do setor”. A eleição ocorreu em assembleia dos associados realizada dia 29/1.

 

Em entrevistas à ABECIP – REVISTA DO SFI, Gilberto e Cristiane avaliam a situação atual e as perspectivas para o crédito imobiliário e para a economia brasileira nos próximos anos.

 

 

AFIANDO AS ARMAS PARA UMA ENORME EXPANSÃO

Mudou, para melhor, o grau de maturidade do crédito imobiliário, segundo Gilberto Duarte de Abreu Filho. “Depois de uma das maiores crises da história do País, as carteiras estão saudáveis” – situação diferente da do passado. As construções são erigidas num “sistema legal confortável”. No curto prazo, “o momento é muito favorável”, com juros baixos e retomada da economia, necessários para acelerar a atividade imobiliária.

 

Há, diz Gilberto, “tudo por fazer no mercado imobiliário”. Do ponto de vista dos negócios, “estamos apenas começando”. O crédito imobiliário “vai decolar e ser uma fonte relevante de crescimento econômico nos próximos anos”, prevê.

 

Em resumo, o mercado e o crédito imobiliários “estão na infância”. A construção civil está em estágio básico. “Um amigo me diz que no Brasil não se constrói, se esculpe”, ironiza. Há muito a fazer em usos e recursos. Ao contrário do que se passava nos tempos de juros altos, “agora tem de se trazer para a mesa questões como produtividade, novas condições concorrenciais, indexadores, tabelas de depreciação”. O mercado será competitivo, enfatiza Gilberto. Alto cargo executivo do banco Santander no Brasil, explica: “Em espanhol, a palavra é competência e significa competição. Esse duplo significado da palavra competência se aplica bem às necessidades do País”.

 

Trabalhar sobre os fundamentos do crédito imobiliário foi o objetivo da política da Abecip nos últimos anos. Isso significa, diz Gilberto, segurança regulatória, desburocratização (no FGTS e na interveniência quitante), garantias (o bloc que permitirá o acesso das pequenas construtoras ao crédito) e o mercado de informações gerenciais, permitindo que incorporadoras e bancos tenham melhores condições de contratar empréstimos. O resultado é menos custo para os clientes. Uma das ferramentas criadas é o Índice Geral de Mercado Imobiliário – IGMI – R, que já pode ser usado como instrumento de
política pública.

 

Gilberto se declara “otimista com a retomada econômica” e enfatiza que “o setor imobiliário está puxando essa retomada, “do tijolo à decoração”. Mas, mais importante do que prever com exatidão quanto crescerá o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 “é a tendência”. A ajuda da construção é decisiva. “Nas grandes cidades brasileiras, há uma enorme demanda. Na construção tem tudo por fazer, quando se recorda que 75% da população ainda não têm esgoto ou água tratada”.

 

 

NO FIM DE UM CICLO, A RETOMADA SUSTENTÁVEL

 

Cristiane Magalhães Teixeira Portella vê não apenas “o momento da retomada do crédito imobiliário”, mas o fim de um ciclo: “O mercado secundário sustentou esse ciclo nos últimos dois anos. Houve uma redução orgânica dos juros, em decorrência da redução da Selic, da segurança jurídica
baseada no instrumento da alienação fiduciária de bemimóvel e da disposição dos bancos de estabelecer relações com os potenciais clientes. As questões estão endereçadas”.

 

Haverá, diz a presidente da Abecip, “resultados positivos para todos – entidades incorporadoras, instituições financeiras e consumidores que serão bem atendidos”. O momento é de “retomada firme, não de voo de galinha”. É, enfatiza, “um redirecionamento”. Sobre as fontes de recursos, vê como movimento positivo o fato de que “o mercado que hoje é baseado em funding de poupança ou FGTS está caminhando para outras opções”. Mas não será, afirma, “uma mudança rápida”.

 

O crédito imobiliário, assinala, tem uma previsão de crescimento para 2020 da ordem de 20% a 25%, após altas de 31% em 2018 e cerca de 29% em 2019 – nestes casos, sobre uma base baixa. “A avaliação mais positiva da situação econômica está permitindo uma ampliação dos investimentos de longo prazo”. Cristiane alimenta um otimismo moderado quanto ao aumento do ritmo da atividade econômica no biênio 2020/2021.

 

A política da Abecip nos próximos anos, acrescenta, tem objetivos claros: “Primeiro, avançar numa agenda já bem conduzida pelo Gilberto (o ex-presidente Gilberto Duarte de Abreu Filho) – e, anteriormente, por Luiz Antonio França e Octavio de Lazari Jr. (também ex-presidentes da Abecip) –
com foco na modernização dos processos imobiliários, para que a experiência seja prazerosa para o consumidor e eficiente para as incorporadoras”. Ou seja, trata-se, segundo Cristiane, “da preservação de políticas que deram certo e estão em curso com modernização dos processos, usando o que os responsáveis pela associação têm de melhor para modernizar o setor como um todo”.