SETOR IMOBILIÁRIO ATRAI FAMÍLIAS E INVESTIDORES

18 de dezembro de 2020 • Colunista

Por: Cristiane Portella

Entre os setores que melhor perceberam os efeitos da pandemia do covid-19 está o mercado imobiliário. Mas cabe notar que, em grande parte, os impactos sobre o segmento devem ser vistos por seus aspectos positivos. Milhões de pessoas trocaram a sede da empresa pelo trabalho em casa, fenômeno observado, em especial, nos grandes centros, onde há mais áreas corporativas.

 

Mudou a forma pela qual as famílias passaram a ver a habitação, que se tornou refúgio seguro para muitos, haja vista a imposição do isolamento social por período prolongado – e que poderá persistir em 2021, embora tenham sido divulgadas algumas notícias favoráveis quanto ao desenvolvimento de vacinas e a perspectiva de sua aplicação já no início do próximo ano.

 

As moradias passaram a ser vistas pela qualidade de suas áreas privativas e plantas de arquitetura, pela necessidade de aproveitamento máximo dos espaços e pela demanda de móveis e decoração adequados, para que as transformações impostas pela crise sanitária possam ser enfrentadas num ambiente doméstico que seja o mais agradável possível. São sinais animadores para alguns segmentos econômicos importantes.

 

Ante o número substancial de profissionais que passaram a trabalhar em regime de home-office, a demanda por habitações com maior área útil ou com espaço destinado ao trabalho cresceu expressivamente. Em muitas situações, isso demanda um aposento a mais ou a criação de estações de trabalho, inclusive em moradias da faixa média baixa. A procura por imóveis mais amplos voltou a crescer, segundo alguns indicadores, como os do sindicato da habitação (Secovi SP) e da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

 

Os reflexos das mudanças sobre o financiamento habitacional têm sido expressivos. Nos últimos meses, o crédito imobiliário avançou muito além das expectativas tanto na aplicação como na captação de recursos. Isto não se deve apenas ao ressurgimento da atratividade dos depósitos de poupança, que se tornaram instrumento defensivo numa fase de grande oscilação do valor dos ativos financeiros, a ponto de os saldos das cadernetas atingirem a marca do trilhão, se incluída a poupança verde. As famílias que conseguiram preservar a renda fizeram a opção de aumentar suas reservas e sua poupança financeira, o que transcende a constatação de que mais recursos foram destinados para as cadernetas. A rigor, aumentou a poupança bruta nacional.

 

Indicadores levantados pela Abecip mostram esse ambiente positivo para o crédito imobiliário. Avançaram a demanda e o número de unidades financiadas. Houve incremento nos preços dos imóveis, como evidencia o IGMI-R, elaborado em conjunto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Este índice de negócios de fato realizados pelos bancos mostrou que houve uma alta de 10,4% em 12 meses nos preços dos imóveis financiados no País, porcentual que superou os 16% em São Paulo. Também se notou uma elevação dos preços pedidos pelos vendedores, objeto de outro indicador (Índice Fipe-Zap).

 

Abre-se, assim, um grande espaço para o crédito imobiliário, pois a moradia reforça sua condição de prioridade de investimento das famílias. A redução substancial verificada nas taxas de juros colocou mais pessoas em condições de adquirir seu imóvel e, ao lado de outros fatores, explica o bom momento do mercado imobiliário. Essas tendências perfeitamente evidentes em 2020 serão fortalecidas no futuro se o cenário de longo prazo for marcado por estabilidade fiscal que assegure dias promissores para a economia brasileira e pela confiança de incorporadores e mutuários.